Ai de mim, eu dizia. Ai de mim. Mas o que eu não sabia é que de mim não tinha nada. Ou melhor, tinha tudo, mas não porque eu queria. Tinha tudo de errado em mim por causas que estavam fora do meu alcance. Meu alcance era imenso, mas captava apenas os ruídos. Já as consequências, não! Essas eu não só captava como introjetava e fazia elas de vestimenta - identidade, mau caratismo. Ai de mim! Por pouco não perdi a cabeça. A cabeça que a todo custo tentou sobreviver, fez das tripas coração como se diz. E não é que tem tanta verdade nisso tudo? Tripas de coração. Tripas de sentir muito. Minha cabeça pedia socorro, e agora o tem: meu alcance enfim me alcançou. Os ruídos ficaram pra fora, as consequências são passado. E aqui dentro, agora e para sempre, tripas serão tripas e corações serão corações.
Imaginar é possível.