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Mostrando postagens de 2009

Analisando Bukowski

Analisador 1: - Buko... ihc!, desculpa, Bukowski era um cara que... que não tinha nada Ihc!, droga, era um cara que não tinha nada pra dizer, mas mesmo assim dizia com uma sinceridade tocante, sempre com aquele ihc! tom de provocação. Analisador 2: - É verda ihc! de. Puta cara honesto. Era um desses caras que a gente não vê mais hoje ihc! em dia. Analisador 3: - Sei lá meu, ihc! Acho que o cara era ihc! bêbado só. A única coisa grandiosa que ele fez foi ter comido umas mulheres nojentas. E só meu, ihc! Analisador 2: - Ah velho, não ihc! fode. O cara era foda! Foda! Analisador 1: - Zzzz... Analisador 3: - Bicho, que mané, dor ihc! miu. Analisador 2: - Pega a cerveja dele. Ihc!, e vamo embora. Analisador 3: - E vamo pra onde? Analisador 2: - Ah, que se dane. Vamo ihc! comer umas mulheres nojentas. . .

Carta de intenção para intercâmbio na Argentina

Para Bruno Volpato Florianópolis, 15 de outubro de 2009. Aos examinadores O objetivo de todo programa de intercâmbio é a troca de conhecimento. O intercambista levará ao país escolhido um pouco da sua cultura, terá a oportunidade de compartilhar idéias e valores, e também absorverá muito dos costumes e convicções do país visitado. Assim sendo, de forma clara e objetiva, sem perder-me em conjecturas nem em reflexões hipócritas que trairiam valores éticos, tais como a sinceridade, apresento minha digna intenção quanto ao programa de intercâmbio: Dar graus. Atenciosamente, Verônica Lemus.

Que não devia

Paixão. Que não devia existir. E não existe. Mas é paixão, que passa, que vem e que foi, e que a gente sabe que volta. Mas não devia. É errado. Incrível como nossos sonhos e desejos nos enganam. Horrível como cada ilusão se quebra, estilhaços por aqui e ali. Que se remontam, transfiguram-se, escondem a verdade que a gente não quer pra si. Inacreditável como aqueles olhos eram leves. Leves demais. Aquele olhar não me olhará de novo. Naqueles olhos eu o procurei, procurei seu nome, sua alma. Mas foi impossível enxergar. Naqueles olhos havia um encanto – mágico e ameaçador – que provoca, me fez tentar, querer beijar. Abraços que não diziam nada, só diziam que sim. Mãos que deslizaram, suavemente. Mas que não diziam nada, só diziam que sim. Queriam um sim. Um beijo sem gosto, ainda que perfeito. Um arrepio sincero, mas que não falava por quem sussurrava. E as palavras. Foram as piores. Ditas por uma voz que tinha sua própria história, que me contava histórias, me fazia sorrir. Uma voz que ...

No básico

Mesas e cadeiras vermelhas. As janelas fechadas, privando o vento da sua atividade principal que é bagunçar cabelos enquanto sopra guardanapos para longe. Embora todos parecessem concordar com as janelas cerradas, em algum lugar - no interior de seus corações tipicamente humanos - estava contida aquela vontade incontrolável de contrariar o modo como as coisas são e estão pelo simples prazer de contrariar. - Ai, abre essa janela. Tá muito abafado. Era isso, e não outra coisa, que a população daquela cantina gostaria de esbravejar, com caretas e gestos de irritabilidade tão peculiares do ato de reclamar. A instatisfação de um dia nublado e choramingante sobrepujava qualquer outro sentimento gentil que tivesse a audácia, teimosia ou petulância de querer aparecer. Não. Não havia permissão nem espaço para gentilezas num dia como esse. O jeito era tomar um café, garfar um pedaço de torta, se esconder atrás de um croissant. As gentilezas estavam reservadas para as "delícias" padarí...

Uma dose

Já não havia mais nada nas prateleiras. Nem na cozinha, nem nos armários, nem em lugar nenhum. Precisava de álcool como precisava de amor. Sempre o amor. Por que era tão difícil esquecer palavras que foram ditas há muito tempo atrás? Por que era tão terrível conviver com as verdades silenciosas que corações pouco experientes se negavam a enxergar? O máximo que conseguiu foi um resto de conhaque barato estocado há muito, dos tempos em que não precisava de tudo isso. Uma dose. Duas. Três. O mundo. Inacreditável lhe pareciam os sentimentos, por vezes nefastos, que aos outros eram tão comuns. Comuns e sórdidos. Tolos e injustificáveis. Naquela noite em que se encontraram nenhum céu fora prometido. Nem mesmo o prazer. Prazer que não veio, apenas dor. Por tão pouco entregaria seus dias. Por tão pouco quase entregara a vida. Exagero. Não teria sequer entregado algumas horas. Mas não importava. O ódio existia, tal qual o vexame de uma prova não ganha. Perdera demais o seu tempo. Atitudes vazia...

Like a blueberry night

O lugar fedia a suor e cigarro. Era quase possível enxergar o ar, amarelo sujo. O bafo ácido do ambiente parecia grudar em tudo que tocasse: cabelo, pele, roupas, alma. As luzes quase não existiam. As mesas de sinuca, ao fundo, distraíam mentes perdidas, jogadores sem sorte na vida. Não se viam pessoas. Viam-se apenas silhuetas, corpos grandes, gordos, baixos, tortos. Não se viam velhos, nem se viam jovens. Eram todos homens e algumas mulheres. Olhos e histórias não faziam diferença alguma num lugar como esse. - Vai querer o quê? – perguntou um homem baixo, careca, de pele sebosa, quase um globo humano refletindo as luzes difusas. - Rum, por favor. – respondi, quase arrependida por estar ali. Mas não chegava a estar arrependida. Apenas um pouco bêbada. A garrafa de vodka tinha se acabado há alguns minutos e o bar mais próximo era esse botequim caindo aos pedaços. Ao menos o bar tinha daqueles bancos redondos alcochoados que davam voltas em si mesmos. Ou era eu quem estava girando. O l...

Para onde tiver que ir

Sentada na rua, de noite. Luzes tão fortes, tudo é tão triste. Mas belo. O frio, ela nem liga, quase não o sente mais, de modo algum. Ele está ali, mas não se percebe. O calor do corpo a engana e não deixa a pele à mercê do arrepio. De um lado o lixo, a alguns passos tortos e bêbados de distância. Do outro, a rua, inteira, profunda, que leva ao longe. Leva onde somente o silêncio é capaz de acompanhar. Enquanto decide qual lado tomar, o vento rasga seu rosto, dilacera seus sonhos, mas divide consigo uma vontade imensa de viver, e de sair voando. O gato preto do outro lado da rua caminha devagar. O mistério daqueles olhos amarelos parece entender todo aquele momento, parece dizer “vá, para onde tiver que ir”. O meio-fio, gelado e sujo, segura seu corpo para que não caia mais, para que não afunde mais além daquele chão. O cabelo desarrumado se encontra com a poeira grossa daqueles que já pisaram por ali. Poeira de quem foi e já voltou, de quem foi e foi pra sempre. Uma garrafa de vinho, ...

Disponível, mas tô sussa.

Objetividade. Acredito que tudo nessa vida deveria ter como principal valor a objetividade. Pois bem, então sejamos diretos. As pessoas - indivíduos complexos, peculiares, e absurdamente esquisitos – possuem necessidades, desejos e vontades que precisam ser saciados; sonhos que precisam ser realizados, se não em sua totalidade, pelo menos uma boa parte. Do contrário, nos tornamos pessoas amargas, frustradas, de saco cheio dessa vida de merda. Então por que complicar mais e mais nosso trilhar por este mundo, tão grande e tão só, com suposições? Ou com hipóteses abstratas que não fazem mais do que refletir nossa insegurança, nos tornando seres escravos dos "e se's" tão humanos? Sejamos diretos. Pessoas querem. Querem querer. Querem o que podem e não podem ter. Quanto ao que não podemos ter, tenho minhas dúvidas – talvez não queiramos tanto assim – mas ao que podemos ter e queremos, quanto a isso, eu diria: Tenha. E pronto. Como? Objetividade. Se nós humanos, serezinhos chei...

Como sempre estivera

É 01:06 da manhã e ela estava sozinha. Tudo bem, afinal, sempre estivera e nunca se importou com nada além de si mesma. Mas as pessoas mudam. Ela mudou. Na noite anterior, ela ligou pras amigas e combinaram de sair. Escolhe a blusa, troca de calça, toma um gole de Saint Remy, troca de calça mais uma vez. Olha no espelho, não ficou bom. Troca de blusa, põe o sapato, toma um gole de Saint Remy, e mais um gole, e outro, até acabar e sai. E vai. Não pensa em mais nada. Com as amigas ela ri. Dos caras, ela se esquiva, “eu só quero dançar!” Só quer dançar. E não pensar em mais nada. A noite acaba. Beijo, beijo. Tchau, tchau. Cama, cama. No dia seguinte, o dia transcorre cheio e na correria. Não pensa em mais nada além do que tem pra fazer. E ela sabe tudo o que ela deve fazer. Mas o dia acaba. A noite chega. Sair de novo? Só amanhã! Ler, ler. Banho, banho. Cama, cama. É 01:06 da manhã e ela está na cama. Sozinha. Tudo bem, afinal, sempre estivera e nunca se importou com nada além de si mesma...

Foi naquele dia

E foi naquele dia que eu me dei conta do passar dos anos. Quando a gente é criança, precisa ser protegido. Minha mãe, claro, assumiu essa responsabilidade não assim por obrigação, mas por amor. Amor de mãe que só quer nosso bem. Um dia, eu inventei que queria fazer aulas de dança. Ela disse que tudo bem. Eu tinha oito anos e o colégio era longe, minha mãe teria que me levar. A gente ia de ônibus. Pra me ajudar a embarcar, minha mãe segurava minha mão, me puxava para sua frente e me fazia subir os degraus. Era sempre assim, toda vez que a gente andava de ônibus: eu ia na frente, e ela ia atrás. Pura proteção. E tinha também os momentos em que a gente andava a pé. Como toda criança, eu me distraía por qualquer coisa que chamasse a atenção. Aí, eu ia ficando para trás. Minha mãe, sempre atenta ao que poderia acontecer, logo me chamava e me pedia pra andar na sua frente "assim eu posso te ver". Era sempre assim, toda vez que a gente andava a pé: eu ia na frente, e ela ia atrás. S...

Sistema Randômico de Comportamento

Há muito tempo que criei uma teoria e agora me deu na telha exteriorizá-la, embora seja muito provável (tenho quase certeza) que alguns autores e filósofos já tenham tido essa mesma idéia anteriormente, digamos há uns 100 anos, assim me roubando a chance de ser alguém importante. Senão, vejamos. Uma vez me disseram (ou eu vi no Fantástico) long time ago, que o nosso cérebro funciona de maneira semelhante ao computador. Eis que na hora, por algum motivo, essa comparação me impressionou. Mas até então, eu mal sabia ligar um computador e não entendi bulhufas do resto da explicação. E aí com o passar do tempo fui me familiarizando com a máquina e descobri que ela tem memória, softwares e que você pode instalar e deletar arquivos. Pois era o que faltava pra que eu pudesse compreender a comparação e, a partir daí, viajar por horas e horas, indo e vindo com suposições e teorias. (E que belo nariz-de-cera, mal aí!) À minha teoria eu dei o nome de Sistema Randômico de Comportamento, ou, SRC. Pe...

Amor...

daqueles que doem, daqueles que amam. daquele que chora, daquele que diz que quer. daquele que não liga, daquele que diz que é pra sempre. amor... daquele que odeia, daquele que sente, daquele que por toda vida o faria pleno. daqueles que apodrecem, daqueles que sorriem, daqueles que nos fazem querer voar... e não voltar. daquele que some quando a gente chama, daquele que perdoa quando a gente erra. amor que ama sem parar, amor que espera até dormir. amor que não espera, amor que nunca muda, amor que muda toda hora. amor que vai e volta, amor que volta e não é mais amor... de quem ama, de quem é amado. amor... de sempre, pra sempre. amor que nunca foi, amor que nunca quis ser, mas era. amor... daqueles que não enxergam, daqueles que não sentem amor... daquele que despedaça, daquele que nunca mais se esquece, daquele que eu queria esquecer pra sempre. amor... que eu amei. que todo mundo amou, e pra quem todo mundo quer voltar. amor... que não volta mais.

Homenagem pelo dia da Mulher

Vim aqui dizer que o Dia Internacional da Mulher é comemorado pelo motivo errado. A meu ver, um dia que é dedicado inteiramente à mulher deveria ser um dia em que se reconheçam qualidades exclusivamente nossas. As lutas feministas que reivindicavam melhores condições de trabalho no final do século do XX não se caracterizam como ações estritamente feministas, no sentido belo e delicado da palavra. Qualquer ser humano, independente do gênero, pode sair por aí protestando por algo que deveria ser condição básica assegurada por quem contrata.  Tampouco as lutas por melhores salários e maior reconhecimento profissional se encaixam no que eu chamaria de “pré-requisito feminístico” (o neologismo é por minha conta).   Se assim fosse, além do dia da criança (e aqui caberia um bônus para as crianças chinesas) e da consciência negra, também haveria de se comemorar o dia mundial do bóia-fria e dos catadores de lixo.  E vamos mais além. As lutas das mulheres pelos seus direitos continuam no cam...