O lugar fedia a suor e cigarro. Era quase possível enxergar o ar, amarelo sujo. O bafo ácido do ambiente parecia grudar em tudo que tocasse: cabelo, pele, roupas, alma. As luzes quase não existiam. As mesas de sinuca, ao fundo, distraíam mentes perdidas, jogadores sem sorte na vida. Não se viam pessoas. Viam-se apenas silhuetas, corpos grandes, gordos, baixos, tortos. Não se viam velhos, nem se viam jovens. Eram todos homens e algumas mulheres. Olhos e histórias não faziam diferença alguma num lugar como esse. - Vai querer o quê? – perguntou um homem baixo, careca, de pele sebosa, quase um globo humano refletindo as luzes difusas. - Rum, por favor. – respondi, quase arrependida por estar ali. Mas não chegava a estar arrependida. Apenas um pouco bêbada. A garrafa de vodka tinha se acabado há alguns minutos e o bar mais próximo era esse botequim caindo aos pedaços. Ao menos o bar tinha daqueles bancos redondos alcochoados que davam voltas em si mesmos. Ou era eu quem estava girando. O l...
Imaginar é possível.