Já não havia mais nada nas prateleiras. Nem na cozinha, nem nos armários, nem em lugar nenhum. Precisava de álcool como precisava de amor. Sempre o amor. Por que era tão difícil esquecer palavras que foram ditas há muito tempo atrás? Por que era tão terrível conviver com as verdades silenciosas que corações pouco experientes se negavam a enxergar? O máximo que conseguiu foi um resto de conhaque barato estocado há muito, dos tempos em que não precisava de tudo isso. Uma dose. Duas. Três. O mundo. Inacreditável lhe pareciam os sentimentos, por vezes nefastos, que aos outros eram tão comuns. Comuns e sórdidos. Tolos e injustificáveis. Naquela noite em que se encontraram nenhum céu fora prometido. Nem mesmo o prazer. Prazer que não veio, apenas dor. Por tão pouco entregaria seus dias. Por tão pouco quase entregara a vida. Exagero. Não teria sequer entregado algumas horas. Mas não importava. O ódio existia, tal qual o vexame de uma prova não ganha. Perdera demais o seu tempo. Atitudes vazia...
Imaginar é possível.