Pular para o conteúdo principal

Postagens

Mostrando postagens de agosto, 2009

Uma dose

Já não havia mais nada nas prateleiras. Nem na cozinha, nem nos armários, nem em lugar nenhum. Precisava de álcool como precisava de amor. Sempre o amor. Por que era tão difícil esquecer palavras que foram ditas há muito tempo atrás? Por que era tão terrível conviver com as verdades silenciosas que corações pouco experientes se negavam a enxergar? O máximo que conseguiu foi um resto de conhaque barato estocado há muito, dos tempos em que não precisava de tudo isso. Uma dose. Duas. Três. O mundo. Inacreditável lhe pareciam os sentimentos, por vezes nefastos, que aos outros eram tão comuns. Comuns e sórdidos. Tolos e injustificáveis. Naquela noite em que se encontraram nenhum céu fora prometido. Nem mesmo o prazer. Prazer que não veio, apenas dor. Por tão pouco entregaria seus dias. Por tão pouco quase entregara a vida. Exagero. Não teria sequer entregado algumas horas. Mas não importava. O ódio existia, tal qual o vexame de uma prova não ganha. Perdera demais o seu tempo. Atitudes vazia...