Põe um Motorhead pra parar de pensar, mas não consegue. O quarto já não era mais suficiente para tantas confissões. Confissões secretas, porque o amor que ali crescia não era real, não podia ser, era impossível. Mas nem era amor. Quando a tarde já estava pegando fogo, - daquele sol de outono que vem de mansinho, aos poucos, silencioso, mas que invade casas, quartos, corpos -, naquela tarde, ele já estava pegando fogo. Quando chegou, queimou tudo. Mas não aquilo que lhe corria pela cabeça. Da cabeça, ia para o corpo, para dentro da alma, embalado pelo som que vinha dos fones. Não, vinha do coração. Da vontade de encontrar tudo o que procurara ali, mas fora dali, em outro lugar, em outra pessoa. Porque a vida é assim, ela te dá se você desejar, mas dá errado, de brincadeira, porque a vida tem sono, tem pressa, tem senso de humor. HAHAHA... não era engraçado. Doía. Doía porque se perdia, o que acabara de encontrar teria que ser eliminado, erradicado, posto de lado enquanto s...
Imaginar é possível.