Quando saía, queria ser vista. Claro. Embora sua altura não contribuísse, sempre sentia que aquela sombra ou aquela roupa ia fazer efeito. Bom, nem sempre fazia. O motivo? Sempre o mesmo. Todas as suas amigas o tinham na ponta da língua. Inclusive ela mesma. Mas não é algo que se mude da noite para o dia. Ou melhor, do dia para “A noite”. Não. Aqueles pensamentos indesejáveis (sim, indesejáveis, ela não queria tê-los) pareciam agir como seres controladores ou como qualquer coisa que estivesse ali, sempre por perto, somente para julgá-la e condená-la, como se dissessem “não, você não o tem direito de se sentir bem”. Estranho? Demais. Ela sabia. Mas ela sabia também que esses pensamentos não estiveram sempre ali, no controle. Não. Um dia, eles não existiam. Um dia, há muito tempo, ela nem sonhava que poderia se sentir tão fraca, tão desinteressante. Há muito tempo, ela sorria com mais facilidade. Na verdade, tinha crises de riso com tanta freqüência que, aos olhos dos outros, ou ela era ...
Imaginar é possível.