(reeditado/republicado) “Acho que te dei algumas porradas com a cadeira”. “O quê?”, “A cadeira, com ela te dei algumas porradas, acho”. Socorro, um buraco para me enfiar. Será que ela percebeu minha cara, vermelho vermelhusco vermelhante vermelhão? Provavelmente sim. Há uns sete dias que já vinha elaborando esse grande pretenso início de diálogo na minha cabeça – vai mente, trabalha -, e eu sabia que isso era tudo o que eu não deveria estar fazendo naquele momento, ou em qualquer momento at all. Mas a mente, eu mandei ela trabalhar não foi? E ela trabalhou. Há uns oito, nove dias eu a havia visto pela primeira vez e desde então estava ansiosamente ansiosa por algum pretexto, qualquerzinho, que pudesse me dar uma compreensível e justificável desculpa para ligar uma sílaba a outra, uma palavra a outra e formar a frase que, ao dizê-la em voz alta, quebraria gelos, silêncios e, como num passe de mágica (ou expectativa), seria a frase que iniciaria o diálogo que me levaria a conhece...
Imaginar é possível.