- Já é a terceira vez que esquento esse café! – irritou-se, recolhendo os talheres e guardando o leite do café-da-manhã – Se esfriar, não vou esquentar de novo! - Tá, não pedi pra você esquentar. – ele respondeu, sabendo que seria mal-compreendido. Ou talvez não. Talvez quisesse ter dito o que disse. Da maneira como foi dito. Talvez quisesse tantas coisas, mas não sabia como dizer. Achou melhor ignorar. “'Não pedi pra esquentar!' É não pediu mesmo. Mas eu esquentei. Quis esquentar e esquentei. Não pediu? Não precisava pedir. Sabia que eu ia esquentar. E esquentaria mil vezes. Droga!” É verdade, ela teria esquentado o café por quantas vezes fosse preciso, só pra que soubesse que dessa maneira estaria fazendo tudo certo. Só pra que soubesse que dessa maneira tudo daria certo. No jornal online, as mesmas notícias. No horóscopo também, nenhuma novidade. Ele não sabia exatamente porque ainda perdia seu tempo com horóscopo. “Você terá grandes oportunidades, mas deve ficar atento para...
Imaginar é possível.