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Mostrando postagens de maio, 2020

Revisitâncias

I O processo de revisitar é muito engraçado. Você revisita um passado Uma memória Uma lembrança errada, um erro Revisita a história Mas não revisita um amor. Esse, jamais. Por que o que seria um amor revisitado? Um amor de novo? Novamente? Duplicado ou como quem pede bis? Repetição, repetindo: amor x amor = amor ao quadrado. Não. O amor nunca é revisitado. Mal das vezes é desassimilado na origem (da memória) e reassimilado com alegria ou tristeza - isso depende de quem revisita, depende do seu humor, depende das condições do tempo de determinado dia. Sim, a revisitância é variada, pois permite que eu adultere os elementos originários e primários do espécime em revisitação. Estado: revisitado. II E é assim que se perdem as cores. Assim que se perdem os cheiros - os primeiros da memória, de um amor passado.  Passado, embora não passageiro, porque o banco do carona nunca esteve livre (de verdade, sabe?). Foi assim que se perderam...

Uma canção sobre o amor (ainda que não pareça)

A sexualidade jorra de mim como um gozo ejaculado que esguicha na cara de quem o olha - mas não o provoca. De quem apenas espera que essa vergonha saia - legítima, mas ilegítima, apropriada de todo um ser, de todo um corpo, que não é seu, é meu. Apenas espera que a vergonha jorre e escorra na cara de quem o provoca, de quem provoca esse gozo - torto, vazio, truncado, sujo -, na cara de quem quase ri da outra cara, que se torce e contorce durante o prazer, que é impuro, condenado, vulgar. Sem valor, então sem amor. Sem o tesouro violeta da energia que a tudo percorre - neste corpo, naquele corpo, no teu corpo -, e é lindo. Mas não ali, não em mim, neste corpo. (Mas que eu amo este corpo, porque é roxo, cor violeta, da mesma cor da energia que a tudo permeia, a tudo constrói.) Joga, então, na minha cara, esse esguicho, esse gozo ejaculado, que quando ele me toca, me toca na minha cara. Ele não me envergonha, não. Porque ele é meu e eu sou pura, sou limpa, sou energia - e am...

Abertura

ouvindo Little Wanderer - Death Cab for Cutie [why am I still afraid of smile? well... not anymore then, she smiled.] Receber. A palavra é receber. Do que vem de fora, do que vem de dentro. E dentro é bem quente, úmido, latejante. Mas o amor... Ele é mais que isso. Ele é um sorriso É um colo É um abraço: É o que vem de dentro, direto pra ti, direto pra mim. E preenche Aquece Isola e acalma e aplaca a tormenta. Tormenta que continua, num redemoinho, a turbinar o coração os sentimentos as emoções - as emoções mais puras, da forma que vêm e que vão, que passam por mim me arrastando, mas me deixando aqui: inteira completa cheia... de amor. Por ti Por mim Para sempre. Receber... é a palavra do momento que somente calo se houver um sopro. Mas aqui não há sopro: só mormaço, maresia e calor. E as emoções pela primeira vez estão mais puras que nunca. Brilhantes deliciosas inofensivas porque não mais me arrancam a pele: só dão cores aos dia...