I
O processo de revisitar é muito engraçado.
Você revisita um passado
Uma memória
Uma lembrança errada, um erro
Revisita a história
Mas não revisita um amor.
Esse, jamais.
Por que o que seria um amor revisitado?
Um amor de novo? Novamente? Duplicado ou como quem pede bis?
Repetição, repetindo: amor x amor = amor ao quadrado.
Não.
O amor nunca é revisitado.
Mal das vezes é desassimilado na origem (da memória) e reassimilado com alegria ou tristeza - isso depende de quem revisita, depende do seu humor, depende das condições do tempo de determinado dia.
Sim, a revisitância é variada, pois permite que eu adultere os elementos originários e primários do espécime em revisitação. Estado: revisitado.
II
E é assim que se perdem as cores. Assim que se perdem os cheiros - os primeiros da memória, de um amor passado.
Passado, embora não passageiro, porque o banco do carona nunca esteve livre (de verdade, sabe?).
Foi assim que se perderam as vias, de fato: se perdeu a verdade.
Mas, ao menos, o amor está fora do alcance de ser revisitado.
No máximo, pode ser olvidado, na sua origem, o motivo de ter amado, em primeiro lugar.
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