Dor. Escarro. Cara amarrada. Quem reclama mal sabe o que se passa naquela cabeça. Que pensa, como pensa. Um instante de silêncio é o próprio diamante - de sangue -, enclausurado em meio à névoa, em meio à chama, daquela cabeça, que pensa. Por todos os lados, por todas as dores. E como tem dores. Uma dor, um escarro. Que sai amarelo na pia do banheiro, na porta do quarto, no azulejo da sala. Chega a ser verde, a dor, não o escarro. Chega a ser cinza, a dor, não o descaso. Chega a doer, tanto, a dor, que de culpa morreu mais jovem - um pouquinho a cada dia, um segundo a cada vida. Eram muitas vidas. Todas fruto de uma só dor: a da vergonha. E como escarra, essa marca que leva consigo, desde quando contava as cores em seu modo primário - singelo -, simples e leve. Essa marca que a segue e a remarca e a assalta todas as vezes; essa marca, perseguindo um sem fim de facetas de sua própria identidade. Essa marca, marca. Marcou. Para sempre. A dor, o escarro, a vergonha, a culpa. O errar...
Imaginar é possível.