O universo sempre foi gentil comigo, enquanto eu mesma não conseguia ser. O universo me deu flores, me deu amores, enquanto eu mesma não sabia os receber. Não é que eu não quisesse, ou apenas achasse - como realmente acho - que não fazia por merecer. Era pior que isso. Era indizível, mas também não o era apenas por falta de palavras, era porque as palavras nunca haveriam de ser suficientes para acordar o que estivesse adormecido em inconsciente - coração? -; despertar o que estivesse quase como encravado em minhas entranhas, enraizado mesmo, como uma árvore milenar - só que sem a copa, sem os galhos, sem o verde, só a dor. E quem poderia fazer algo a respeito? Ninguém. Ninguém a não ser eu mesma. Ninguém a não ser esse próprio coração, que dói, tanto, dói tudo, machuca e corrói e desgasta e se quebra. Se parte em mil pedaços, sem forças para respirar. O ar dói. O azul do céu dói, o roxo da flor mais linda dói, porque belos, porque naturais, porque natureza, porque vida pura e just...
Imaginar é possível.