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Uma canção sobre o amor (ainda que não pareça)

A sexualidade jorra de mim como um gozo ejaculado que esguicha na cara de quem o olha - mas não o provoca.

De quem apenas espera que essa vergonha saia - legítima, mas ilegítima, apropriada de todo um ser, de todo um corpo, que não é seu, é meu.

Apenas espera que a vergonha jorre e escorra na cara de quem o provoca, de quem provoca esse gozo - torto, vazio, truncado, sujo -, na cara de quem quase ri da outra cara, que se torce e contorce durante o prazer, que é impuro, condenado, vulgar.

Sem valor, então sem amor.

Sem o tesouro violeta da energia que a tudo percorre - neste corpo, naquele corpo, no teu corpo -, e é lindo.

Mas não ali, não em mim, neste corpo. (Mas que eu amo este corpo, porque é roxo, cor violeta, da mesma cor da energia que a tudo permeia, a tudo constrói.)

Joga, então, na minha cara, esse esguicho, esse gozo ejaculado, que quando ele me toca, me toca na minha cara.

Ele não me envergonha, não. Porque ele é meu e eu sou pura, sou limpa, sou energia - e amor.

A tudo que me toca, eu também toco, e, então, purifico: o gozo, o esguicho, o prazer e a sensualidade.

Sexualidade da qual sou feita. Inteira, inteirinha. Da cor púrpura, violeta intensa em seu roxo imaculado - mas não menos marcado.

Posso ser pura, divina, mesmo com as minhas marcas, porque elas são parte de mim - da minha história - e eu as amo e as integro e as purifico.

Goza para mim, goza em mim, goza comigo, na ejaculação da energia vital, que a tudo permeia, que a tudo cocria - comigo e contigo, con nosotras juntas:

eis uma canção sobre o amor.

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