As marquinhas de chuva em cima do livro mudaram totalmente a perspectiva daquele momento. Já não era mais o passado que preocupava. O futuro, agora, parecia muito mais distante e doloroso. E os amigos de sempre lhe diziam sempre as mesmas palavras, só que em tons diferentes.
De tanto não querer enxergar, acabou cega. E por não saber ao certo como havia conseguido voltar a ver, achou que talvez fosse melhor considerar a noite anterior como a grande responsável por todas as coisas que viriam agora. Agora que tinha voltado a ver.
Foi aquela chuva que molhou o livro, foi aquele silêncio, tal qual o silêncio que havia por dentro, foram aquelas luzes, aquelas ruas, foi aquele vento que conseguiu mudar toda uma maneira de ser. As luzes, borradas numa visão entre cílios molhados, apagaram as únicas imagens que ainda existiam daquele passado. O vento, gelado, pediu que seu coração novamente se aquecesse. As ruas, vazias, deixaram entrever todo o novo caminho que deveria ser traçado. A chuva, bom, a chuva molhou o livro. E o silêncio, pela primeira vez, fez barulho.
Depois daquela noite, tudo se tornou claro. Os amigos, agora, apenas distrairiam. As risadas, agora, soariam vazias. A companhia, aquela companhia que verdadeiramente nos preenche e nos completa, essa companhia já não mais confortaria como fazia há muito tempo atrás. Não. Os amigos, eles estarão, mas não como estariam quando tudo estava bem.
Acontece.
Acontece quando se perde o controle da situação. Acontece quando se espera demais, quando se quer mais, mais e mais. Acontece quando a graça muda de nome e resolve sair por aí, sozinha, te deixando de lado. Acontece quando se quer tudo, ao mesmo tempo em que não se quer nada. Ao mesmo tempo em que não se tem nada. Mas então tudo cansa. E tudo, então, vai embora.
Aquelas marquinhas de chuva em cima do livro, seu mais novo grande amigo, aquelas marquinhas mudaram toda uma maneira de ver. E de se entender. Aquelas marquinhas, que ofuscam o brilho do topo das páginas, aquelas marquinhas tão sábias das dores dos homens, aquelas marcas parecem dizer: “Vá. Mas vá sozinha.”
E tudo foi.
Sozinho.
As marquinhas estão aqui. Sempre estarão.
E então eu vou.
Mas vou sozinha.
.
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De tanto não querer enxergar, acabou cega. E por não saber ao certo como havia conseguido voltar a ver, achou que talvez fosse melhor considerar a noite anterior como a grande responsável por todas as coisas que viriam agora. Agora que tinha voltado a ver.
Foi aquela chuva que molhou o livro, foi aquele silêncio, tal qual o silêncio que havia por dentro, foram aquelas luzes, aquelas ruas, foi aquele vento que conseguiu mudar toda uma maneira de ser. As luzes, borradas numa visão entre cílios molhados, apagaram as únicas imagens que ainda existiam daquele passado. O vento, gelado, pediu que seu coração novamente se aquecesse. As ruas, vazias, deixaram entrever todo o novo caminho que deveria ser traçado. A chuva, bom, a chuva molhou o livro. E o silêncio, pela primeira vez, fez barulho.
Depois daquela noite, tudo se tornou claro. Os amigos, agora, apenas distrairiam. As risadas, agora, soariam vazias. A companhia, aquela companhia que verdadeiramente nos preenche e nos completa, essa companhia já não mais confortaria como fazia há muito tempo atrás. Não. Os amigos, eles estarão, mas não como estariam quando tudo estava bem.
Acontece.
Acontece quando se perde o controle da situação. Acontece quando se espera demais, quando se quer mais, mais e mais. Acontece quando a graça muda de nome e resolve sair por aí, sozinha, te deixando de lado. Acontece quando se quer tudo, ao mesmo tempo em que não se quer nada. Ao mesmo tempo em que não se tem nada. Mas então tudo cansa. E tudo, então, vai embora.
Aquelas marquinhas de chuva em cima do livro, seu mais novo grande amigo, aquelas marquinhas mudaram toda uma maneira de ver. E de se entender. Aquelas marquinhas, que ofuscam o brilho do topo das páginas, aquelas marquinhas tão sábias das dores dos homens, aquelas marcas parecem dizer: “Vá. Mas vá sozinha.”
E tudo foi.
Sozinho.
As marquinhas estão aqui. Sempre estarão.
E então eu vou.
Mas vou sozinha.
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