Pular para o conteúdo principal

There’s something inside you, it’s hard to explain

O som
Que vem de dentro
Do fundo da alma, de dentro do corpo
E irrompe na superfície
Se espalha pelos dedos e alcança
Se agarra àquilo que está fora
Que é falso
Que não existe
Que é impossível
O som
Que queima por dentro
Onde a batida do coração é mais forte
Quando é mais forte
Só quando está perto
Só quando te olha
Quando respira, quando sorri, quando fala
As palavras, a voz...
O som
Que vem de dentro
Que queima e confunde
Que se agarra àquilo que é falso
Que não existe, que é impossível
O desejo
Que é falso
O amor
Que não existe
Você
que é impossível
não desejar

 para ler ouvindo: Nightcall – Kavinsky & Lovefoxxx (Da trilha sonora de Drive)

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Exercícios de escrita - Infelicidade comum

A mesa era firme, isso não era possível negar. A madeira não era um compensado, mas também não era rústica. Não que eu entenda de madeira, mas com certeza não era um pedaço de madeira retirado diretamente de sua árvore, houve um processo ali. A madeira foi colhida, cortada, cortada e cortada mais uma vez, depois colada, possivelmente, em cima de outro pedaço de madeira. Talvez seja um compensado. Não que eu entenda de compensado. O fato é que a madeira era boa e a mesa, firme. Era firme. E por que isso é tão importante? Porque toda a sua vida havia sido posta sobre ela. Era a mesa, um monitor e um notebook. Tudo isso era só isso, e vice-versa.  Naquela mesa, por horas, ela ficaria debruçada. Sentada, é claro, em uma cadeira feita da mesma madeira firme não rústica da mesa. Era um conjunto: a mesa, dobrável, a cadeira, dobrável. Pertenceram a um local muito especial para ela.  E por isso, por ali, ficaria horas e horas debruçada, nem se importando com a falta de encosto inteiri...

A complexidade das coisas simples

Se tem algo que é duro e denso e pesado como chumbo é a complexidade das coisas simples - e Kundera já cantara essa bola antes. Ou quase. A diferença é que enquanto uma coisa é pesada ou leve, há um espaço tridimensional que está mais amplo, menos denso, volátil, ao ponto de escapar pelos dedos quando leve, e o inverso quando pesado. Porém, ainda se trata de tangibilidade, de conseguir pegar com a mão, ou não. Mas quando a coisa é simples, significa, em primeiro lugar, que ela existe, ela está dada - tem três dimensões mensuráveis possíveis de serem captadas com os cinco sentidos.  Em segundo, significa que todas as suas partes, premissas, personagens envolvidos na trama - geralmente as do coração -, seguem um roteiro de ações coerente, ação e reação, causa e consequência, isso porque aquilo. Os fatos, manifestados em atitudes, decisões, comportamentos, no mundo externo, no mundo real, são translucidamente simples, modestos, até pequenos ou proporcionais aos outros atos, fatos, ati...

Johnny, don't go

Johnny era assim: livre. Johnny gostava de motos, de uísque e de cigarros. Ele era assim: adorava ser livre. Johnny tinha jaqueta de couro, tatuagem de cobra e um sorriso mau, deliciosamente mau. Ele usava botas, um lenço pendurado no cinto. Johnny era assim: estava sempre de cinto. Johnny tinha uma garota. Jane. Jane era assim: linda. Johnny gostava de Jane, gostava do cheiro de Jane, gostava das pernas de Jane. Jane era assim: quente. Um dia, Johnny acordou se sentindo estranho. Deliciosamente estranho. Beijou a nuca suave de Jane, passou a mão por sua cintura e levantou-se. No banheiro, Johnny olhou-se no espelho demoradamente, profundamente, viu-se inteiramente. Inteiramente livre. Johnny acordou Jane e disse: gata, eu tenho que ir. Jane não entendeu. “Eu preciso ir embora”. “Então vá”, disse Jane, “mas quando voltar me traga umas flores”. E Johnny saiu. Jane passou o dia esperando Johnny. E a noite. E o dia seguinte. E os próximos dias seguintes. Jane não entendeu. Jane gostava de...