É 01:06 da manhã e ela estava sozinha. Tudo bem, afinal, sempre estivera e nunca se importou com nada além de si mesma. Mas as pessoas mudam. Ela mudou.
Na noite anterior, ela ligou pras amigas e combinaram de sair. Escolhe a blusa, troca de calça, toma um gole de Saint Remy, troca de calça mais uma vez. Olha no espelho, não ficou bom. Troca de blusa, põe o sapato, toma um gole de Saint Remy, e mais um gole, e outro, até acabar e sai.
E vai. Não pensa em mais nada. Com as amigas ela ri. Dos caras, ela se esquiva, “eu só quero dançar!” Só quer dançar. E não pensar em mais nada.
A noite acaba. Beijo, beijo. Tchau, tchau. Cama, cama. No dia seguinte, o dia transcorre cheio e na correria. Não pensa em mais nada além do que tem pra fazer. E ela sabe tudo o que ela deve fazer.
Mas o dia acaba. A noite chega. Sair de novo? Só amanhã! Ler, ler. Banho, banho. Cama, cama. É 01:06 da manhã e ela está na cama. Sozinha. Tudo bem, afinal, sempre estivera e nunca se importou com nada além de si mesma. Mas as pessoas mudam. Ela mudou.
Sem inspiração nenhuma, ela pega o notebook e o põe sobre suas pernas. O desejo de escrever é imenso, tão imenso quanto o vazio que ela sente quando olha para o outro lado e não vê ninguém. Os sentimentos, as preocupações, tudo passa pela sua cabeça. Mas na hora de escrevê-los, as palavras somem, parecem decididas a não fazer parte dessa loucura, preferem o sossego do mundo das idéias, onde podem correr livremente sem a necessidade de fazer sentido.
Ela sabe que algo está diferente, mas não tem certeza do motivo. De repente, as coisas não são mais como são. De repente, as coisas velhas, que sempre lhe fizeram tão bem, arrumaram suas malas e tomaram um rumo diferente do seu, sem nem deixar um bilhete de despedida sequer. Simplesmente se foram, sem ela. Eis a razão da sua solitude.
Durante o dia, em meio à agitação das obrigações, o imenso vazio parece ser preenchido por alguns segundos de conversas triviais, de abraços triviais, de pessoas triviais. A substância das atitudes, a substância dos dias que passam parece não mais existir. Sonhar, amar, acreditar... Sempre fizera isso tão bem! Mas as pessoas mudam. Ela mudou.
Seus sonhos parecem perdidos. Seu amor não tem mais aquele brilho no olhar e acreditar no que quer que seja, agora, soa como uma credulidade boba e sem propósito. É 01:45 da manhã e ela perdeu o sono. Perdeu o rumo. Vai rolar na cama procurando o carinho dos cobertores e o abraço do travesseiro. Sozinha, como sempre estivera. De volta à um mundo que antes costumava conhecer tão bem quanto a si própria.
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Na noite anterior, ela ligou pras amigas e combinaram de sair. Escolhe a blusa, troca de calça, toma um gole de Saint Remy, troca de calça mais uma vez. Olha no espelho, não ficou bom. Troca de blusa, põe o sapato, toma um gole de Saint Remy, e mais um gole, e outro, até acabar e sai.
E vai. Não pensa em mais nada. Com as amigas ela ri. Dos caras, ela se esquiva, “eu só quero dançar!” Só quer dançar. E não pensar em mais nada.
A noite acaba. Beijo, beijo. Tchau, tchau. Cama, cama. No dia seguinte, o dia transcorre cheio e na correria. Não pensa em mais nada além do que tem pra fazer. E ela sabe tudo o que ela deve fazer.
Mas o dia acaba. A noite chega. Sair de novo? Só amanhã! Ler, ler. Banho, banho. Cama, cama. É 01:06 da manhã e ela está na cama. Sozinha. Tudo bem, afinal, sempre estivera e nunca se importou com nada além de si mesma. Mas as pessoas mudam. Ela mudou.
Sem inspiração nenhuma, ela pega o notebook e o põe sobre suas pernas. O desejo de escrever é imenso, tão imenso quanto o vazio que ela sente quando olha para o outro lado e não vê ninguém. Os sentimentos, as preocupações, tudo passa pela sua cabeça. Mas na hora de escrevê-los, as palavras somem, parecem decididas a não fazer parte dessa loucura, preferem o sossego do mundo das idéias, onde podem correr livremente sem a necessidade de fazer sentido.
Ela sabe que algo está diferente, mas não tem certeza do motivo. De repente, as coisas não são mais como são. De repente, as coisas velhas, que sempre lhe fizeram tão bem, arrumaram suas malas e tomaram um rumo diferente do seu, sem nem deixar um bilhete de despedida sequer. Simplesmente se foram, sem ela. Eis a razão da sua solitude.
Durante o dia, em meio à agitação das obrigações, o imenso vazio parece ser preenchido por alguns segundos de conversas triviais, de abraços triviais, de pessoas triviais. A substância das atitudes, a substância dos dias que passam parece não mais existir. Sonhar, amar, acreditar... Sempre fizera isso tão bem! Mas as pessoas mudam. Ela mudou.
Seus sonhos parecem perdidos. Seu amor não tem mais aquele brilho no olhar e acreditar no que quer que seja, agora, soa como uma credulidade boba e sem propósito. É 01:45 da manhã e ela perdeu o sono. Perdeu o rumo. Vai rolar na cama procurando o carinho dos cobertores e o abraço do travesseiro. Sozinha, como sempre estivera. De volta à um mundo que antes costumava conhecer tão bem quanto a si própria.
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