Ele era loiro, tinha olhos verdes e 19 anos. Quando o conheci, achei que apenas saberia seu nome, a cidade de onde vinha e quantas gurias já tinham conhecido seu quarto. Não mais que três palavras foram suficientes para que ele me encantasse. Não mais que três dias foram suficientes para que eu percebesse que qualquer tipo de relação com ele seria difícil. Ou, pelo menos, não-tão-fácil.
Jeito de quem fala à vontade e está sempre bem. Te olha mesmo e te deixa sem jeito, te toca e te deixa com medo, mas te deixa sempre pedindo por mais. Achei que nunca saberia dos seus sonhos, das suas vontades, das coisas que passam pela sua cabeça. Achei que nunca saberia e de fato, não me enganei.
Se hoje sei quando está triste, se hoje entendo quando quer mais, ou quando quer menos é porque sinto. É porque – pelo bem, alívio e salvação geral das mulheres deste mundo – existe uma coisa chamada intuição. Intuição daquelas que só se adquire depois de um longo período de tentativa e erro. Depois de um longo tempo de sucessos e fracassos. E isso não é um exagero. O grau de complicação e dificuldade da relação é tão alto que todo acerto é comemorado como o maior sucesso de todos os tempos. Da mesma forma que qualquer erro, por mais besta ou (in)justificado que seja, é sentido como sendo o fracasso mais doloroso e insuportável de toda a era humana.
Para qualquer sensível como eu, a coisa não poderia ser diferente. Não faria sentido se fosse, e talvez, se fosse, não tivesse a graça que tem. Talvez. O que se sabe é que desde o início havia a certeza do mistério. E essa certeza existia quase como personificada. Era possível tocá-la, possível cheirá-la. Era possível também ignorá-la, exatamente do jeito que aconteceu.
Ignorar aquela certeza - que mantinha ares de quem prevê maus presságios - ignorá-la totalmente talvez tenha sido a escolha mais feliz que alguém já possa ter feito. Talvez. Mas de que importa esse talvez, tão solitário? De que importam as certezas tão certinhas e pragmáticas? Prefiro, assim, um mistério. Prefiro aquele mistério.
Ele ainda é loiro, tem olhos verdes e logo faz 20. Quando o conheci, achei que apenas saberia seu nome. Hoje, não me importa mais o que eu não sei.
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Jeito de quem fala à vontade e está sempre bem. Te olha mesmo e te deixa sem jeito, te toca e te deixa com medo, mas te deixa sempre pedindo por mais. Achei que nunca saberia dos seus sonhos, das suas vontades, das coisas que passam pela sua cabeça. Achei que nunca saberia e de fato, não me enganei.
Se hoje sei quando está triste, se hoje entendo quando quer mais, ou quando quer menos é porque sinto. É porque – pelo bem, alívio e salvação geral das mulheres deste mundo – existe uma coisa chamada intuição. Intuição daquelas que só se adquire depois de um longo período de tentativa e erro. Depois de um longo tempo de sucessos e fracassos. E isso não é um exagero. O grau de complicação e dificuldade da relação é tão alto que todo acerto é comemorado como o maior sucesso de todos os tempos. Da mesma forma que qualquer erro, por mais besta ou (in)justificado que seja, é sentido como sendo o fracasso mais doloroso e insuportável de toda a era humana.
Para qualquer sensível como eu, a coisa não poderia ser diferente. Não faria sentido se fosse, e talvez, se fosse, não tivesse a graça que tem. Talvez. O que se sabe é que desde o início havia a certeza do mistério. E essa certeza existia quase como personificada. Era possível tocá-la, possível cheirá-la. Era possível também ignorá-la, exatamente do jeito que aconteceu.
Ignorar aquela certeza - que mantinha ares de quem prevê maus presságios - ignorá-la totalmente talvez tenha sido a escolha mais feliz que alguém já possa ter feito. Talvez. Mas de que importa esse talvez, tão solitário? De que importam as certezas tão certinhas e pragmáticas? Prefiro, assim, um mistério. Prefiro aquele mistério.
Ele ainda é loiro, tem olhos verdes e logo faz 20. Quando o conheci, achei que apenas saberia seu nome. Hoje, não me importa mais o que eu não sei.
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