Uma alma atormentada – de
sentimentos. De desejos, de sonhos, de quando era criança e queria
tudo, e queria nada.
Tão feio e banal e terrivelmente
horrível aos ouvidos é dizer atormentada, mas era assim que era. Um
pequeno lugar-comum: a alma, que sentia tudo; o coração para sempre
quebrado e o sonho, o grande sonho a que tudo, um dia, colocaria um
fim (sonho technicolor, psicodélico, das luzes vermelhas no velho
Troubadour).
Era realmente uma alma e acreditava
nisso – era sua única crença, afinal (nunca fora de muita fé). E
assim estava bem, e assim vivia uma noite após a outra, de
meias-luzes, a luz de velas e todo coração dedicado a uma e várias
músicas.
Era assim que era. Uma alma –
atormentada de sentimentos que nunca entendera, apenas, talvez,
ouvira falar deles um dia. Em uma outra história – mas não a sua.
Jamais a sua. História que não conhecia, como se o maior e mais
escuro pedaço dela lhe tivesse sido surrupiado, guardado abaixo de
sete vidas, dentro de um pote, enterrado a sete mentes.
Que alma. Como a amava. A queria livre.
Mas não sabia como.
Jamais soube.
Quem sabe?
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