Você já teve uma voz dentro de você, lhe dizendo para fazer isso ou aquilo, lhe dizendo goste disso, odeie aquilo? E o que você faz, quando a ouve? A ouve, de fato — e lhe entrega todo seu poder -, ou escuta, como quem escuta um barulho, interpreta suas intenções, avalia o perigo e, somente então, decide o quê ou como deve responder?
Pois eu não tinha nada disso.
Prólogo — O sonho
Meus sonhos são surreais. De verdade. Nem o filme mais psicodélico que você possa se lembrar de algum dia já ter visto chega perto da vibrância de cores e temas e texturas e, principalmente, palpabilidade da fantasia dos meus sonhos.
Sim, eu sei que eles são fantasia, mas cara… tão difícil não acreditar que eles são reais. Você sabe como é isso? Meu livro dos sonhos é sobre isso, é sobre eles, sobre esses vídeos oníricos, mas também é sobre dor, sobre quando fui rasgada por dentro.
I
“Quando você atinge toda sua luz, como se saísse de um ponto baixo, um ponto negro e profundo, o ponto do início de um gráfico, no eixo X, o vertical, e você sobe por essa linha, que se torna curva, conforme vive e experiencia o ponto Y — horizontal -, então você tem dois caminhos, duas possibilidades à sua frente:”
Foi o que a Belisa disse, durante um sonho meu, muito real. Eu estava dormindo há não mais que umas três horas. O quarto estava todo escuro, como nunca antes eu havia conseguido dormir. Desde pequena eu tinha medo do escuro.
A escuridão, hoje reconfortante, do quarto, também pintou o sonho e o escureceu, porém, não era um escuro triste, de quem está perdido, mas um escuro arroxeado, uma penumbra fria, porém mágica, sublime.
Ali, eu me encontrei acordando do meu sonho, um sonho dentro de outro. Me vi em um sofá, acredito, deitada, e quando finalmente consegui me mover — no sonho -, consegui ser ouvida pelas duas pessoas que ali estavam comigo, naquela sala ampla, porém escura em tons frios púpura.
Belisa e Danusa, duas irmãs. Belisa, a mais nova, porém mais alta que a irmã mais velha. Belisa dos olhos azuis e pele clara — linda desde que a conheço. Danusa, mais baixinha, pele mais morena, sempre uma presença forte que me intimidava.
As duas irmãs, ali comigo. As duas criaturas muito espirituais. Era o que representavam para mim.
Quando finalmente consegui me mover, então, eu ansiosamente e com muito espanto e choque/desespero, consegui dizer o que estava me entalando por dentro:
“Eu tive um sonho, eu estava tendo um sonho, muito real”.
Nele, Belisa me contava sobre o que acontecia quando percorríamos nosso caminho de luz pela vida, e o que poderia acontecer quando, ao finalizar esse caminho, não tívessemos cuidado com nós mesmos.
“Você vira lúcifer”, ela explicou. O choque foi quase mortal. O medo congelou minha alma por alguns segundos.
“Eu não quero ser lúcifer, eu não sou lúcifer”. Engraçado como o desespero, o temor, de sermos algo que não gostaríamos de ser pode gerar crenças tão contraditórias, pois ao temer o que podemos nos tornar, será que não tememos aquilo que já somos? Neste caso, será que meu temor não era o de já ter um pé, ou uma mão, transformados, transmutados em maldade luciferiana, má e libidinosa, traiçoeira, excrementa?
Pois o meu medo era esse: ser lúcifer.
O sonho seguiu. A ordem temporal ou dos cenários e acontecimentos do sonho me escapa sempre que tento relembrá-los, recontá-los. Mas sigo o relato de acordo com meu coração, sempre, pois confio que ele dará o sentido devido ao que quer que tenha sido dito pelo meu inconsciente através do sonho.
Acordei.
Pois eu não tinha nada disso.
Prólogo — O sonho
Meus sonhos são surreais. De verdade. Nem o filme mais psicodélico que você possa se lembrar de algum dia já ter visto chega perto da vibrância de cores e temas e texturas e, principalmente, palpabilidade da fantasia dos meus sonhos.
Sim, eu sei que eles são fantasia, mas cara… tão difícil não acreditar que eles são reais. Você sabe como é isso? Meu livro dos sonhos é sobre isso, é sobre eles, sobre esses vídeos oníricos, mas também é sobre dor, sobre quando fui rasgada por dentro.
I
“Quando você atinge toda sua luz, como se saísse de um ponto baixo, um ponto negro e profundo, o ponto do início de um gráfico, no eixo X, o vertical, e você sobe por essa linha, que se torna curva, conforme vive e experiencia o ponto Y — horizontal -, então você tem dois caminhos, duas possibilidades à sua frente:”
Foi o que a Belisa disse, durante um sonho meu, muito real. Eu estava dormindo há não mais que umas três horas. O quarto estava todo escuro, como nunca antes eu havia conseguido dormir. Desde pequena eu tinha medo do escuro.
A escuridão, hoje reconfortante, do quarto, também pintou o sonho e o escureceu, porém, não era um escuro triste, de quem está perdido, mas um escuro arroxeado, uma penumbra fria, porém mágica, sublime.
Ali, eu me encontrei acordando do meu sonho, um sonho dentro de outro. Me vi em um sofá, acredito, deitada, e quando finalmente consegui me mover — no sonho -, consegui ser ouvida pelas duas pessoas que ali estavam comigo, naquela sala ampla, porém escura em tons frios púpura.
Belisa e Danusa, duas irmãs. Belisa, a mais nova, porém mais alta que a irmã mais velha. Belisa dos olhos azuis e pele clara — linda desde que a conheço. Danusa, mais baixinha, pele mais morena, sempre uma presença forte que me intimidava.
As duas irmãs, ali comigo. As duas criaturas muito espirituais. Era o que representavam para mim.
Quando finalmente consegui me mover, então, eu ansiosamente e com muito espanto e choque/desespero, consegui dizer o que estava me entalando por dentro:
“Eu tive um sonho, eu estava tendo um sonho, muito real”.
Nele, Belisa me contava sobre o que acontecia quando percorríamos nosso caminho de luz pela vida, e o que poderia acontecer quando, ao finalizar esse caminho, não tívessemos cuidado com nós mesmos.
“Você vira lúcifer”, ela explicou. O choque foi quase mortal. O medo congelou minha alma por alguns segundos.
“Eu não quero ser lúcifer, eu não sou lúcifer”. Engraçado como o desespero, o temor, de sermos algo que não gostaríamos de ser pode gerar crenças tão contraditórias, pois ao temer o que podemos nos tornar, será que não tememos aquilo que já somos? Neste caso, será que meu temor não era o de já ter um pé, ou uma mão, transformados, transmutados em maldade luciferiana, má e libidinosa, traiçoeira, excrementa?
Pois o meu medo era esse: ser lúcifer.
O sonho seguiu. A ordem temporal ou dos cenários e acontecimentos do sonho me escapa sempre que tento relembrá-los, recontá-los. Mas sigo o relato de acordo com meu coração, sempre, pois confio que ele dará o sentido devido ao que quer que tenha sido dito pelo meu inconsciente através do sonho.
Acordei.
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